Por que a indústria deve pagar os autores de maneira justa

A remuneração dos roteiristas e diretores pela exploração de suas obras representa um percentual muito pequeno da renda paga aos principais grupos de mídia e de plataformas online. No entanto, isso muda tudo para os criadores.

O aumento do consumo digital de obras audiovisuais faz com que isso se torne ainda mais acessível a cada dia.

Na Europa, o número de serviços de VOD (vídeo sob demanda) aumentou para mais de 3.000 plataformas entre 2007 e 20111, enquanto a renda gerada aumentou para 1.000%. Mundialmente, a renda publicitária procedente do vídeo online dobrou de 2011 para 20142, atingindo o valor de 11,200 bilhões de euros e, em 2014, a Netflix cadastrou 13 milhões de usuários novos e obteve um aumento de renda de 26%3.

Não obstante isso, infelizmente, os criadores cujo esforço e talento constituem a base de qualquer sucesso cinematográfico, são muitas vezes esquecidos. Na maioria dos casos, eles nem sequer são informados dos mercados nos quais seus filmes são distribuídos e, evidentemente, nem sempre são remunerados pelos usos posteriores de suas obras.

O direito a uma remuneração intransmissivel e irrenunciavel ajudara a reduzir as profundas diferenças que existem no trato entre autores e os outros operadores do setor e estimularia a criação de novos trabalhos onde ambas partes poderiam ser beneficadas.

Estudo de caso: Lei de Remuneração na Itália

Em 1997, o governo italiano introduziu uma lei que institui uma remuneração obrigatória para roteiristas e diretores de cinema, a ser paga pelos usuários por cada uso que eles fizessem das obras. Nos anos seguintes, a SIAE – a sociedade autorizada para arrecadar e distribuir esses direitos – recebeu uma nova renda para roteiristas e diretores por um valor médio de 23 milhões de euros por ano, o que serviu como um catalizador para o sucesso.

A indústria experimentou uma importante melhoria no número de filmes italianos produzidos, que aumentou para mais de 70%4 entre 1996 e 2014, colocando a industria italiana na quinta posição do raking das indústrias cinematográficas da Europa. O número de espectadores nas salas de cinema alcançou 100 milhões e a cota de mercado para os filmes produzidos nacionalmente aumentou para 27%; ocupando o segundo lugar, logo atrás dos Estados Unidos. Esta tendência positiva também impactou a televisão, já que dois grupos de mídia difundiram 562 horas de ficção em 2011-2012, comparado com 283 horas em 1996-975.

Estes aumentos não prejudicaram a qualidade dos filmes Italianos, que experimentaram na verdade uma volta por cima :

  • Um Oscar para “La Grande Bellezza” de Paolo Sorrentino
  • Um Leão de Ouro concedido ao documental de Gianfranco Rosi, Sacro GRA
  • Os filmes nacionais ocuparam o 1.º e 3.º lugar no ranking de bilheteria italiano de 2013
  • Diversos prêmios internacionais para o filme italiano Gomorra e sua versão para série de televisão

Referências:

1 MAVISE, Observatório Europeu do Setor Audiovisual – 31/12/2013
2 “Remuneração de autores e intérpretes em relação ao uso de suas obras e à gravação de suas interpretações” – estudo realizado pela Europe Economics-IVIR para a Comissão Europeia.
3 Le Figaro – Janeiro 2015
4 Observatório Europeu do Setor Audiovisual 2014, relatório sobre o setor cinematográfico de 2013 elaborado pelo Ministério da Cultura (MIBAC)
5 Observatório Europeu do Setor Audiovisual, Ficção nos canais de televisão europeus 2006-2013
6 OFI (Osservatorio della Fiction Italiana, Strategie contingenti, la fiction italiana/L’Italiana nella fiction, Ventiquattresimo rapporto annuale, stagione 2011-2012) e ANICA

Apoio a Campanha Audiovisual para uma remuneração justa